Famílias Atingidas Dão Ultimato a Vale e Ameaçam Endurecer a Luta

22 Abr

A Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais – ADECRU denuncia, com urgência, a captura do alegado “processo de negociação” ora em curso entre representantes da Vale e das 1365 famílias, por ela atingidas e reassentadas na Região de Cateme e Unidade 6 do Bairro 25 de Setembro.

A ADECRU comunica, igualmente, as graves denúncias de tentativas de manipulação, ameaças e intimidação sofridas por representantes das 1365 famílias e tornadas públicas após a realização do primeiro encontro, no dia 19 de Abril último, nas instalações do Governo Distrital de Moatize, entre as 15h30 e 16h30.

Os representantes das famílias referem que, durante o encontro, a retórica e o discurso dominante dos representantes da Vale e do Governo concentraram-se na repreensão e culpabilização das famílias, supostamente por avultados prejuízos averbados por esta empresa durante a paralisação das suas actividades.

Referira-se que no dia 19 de Abril, em comunicado de imprensa, a ADECRU havia alertado sobre o risco e a possibilidade dos encontros de negociação se converterem em espaços de manipulação de consciências, aliciamento ou intimidação, facto que se evidenciou nos resultados e na forma como decorreram as negociações. A Vale, uma vez mais, fez-se representar por funcionários, na sua maioria sem poder de decisão, comandados pelo Chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Empresarial da Vale em Moatize. Do lado do Governo moçambicano esteve, entre outros representantes, o Comandante Distrital da PRM numa clara intimidação às famílias e identificação de “cabecilhas”.

“Parece que a Policia está para servir a Vale e não o Povo e o Estado moçambicano. Quando reclamamos e manifestamos somos detidos, torturados e mortos. Era melhor que não houvesse essa lei de liberdade de expressão e manifestação para que nós não reivindicássemos nossos direitos. Esses direitos funcionam para uns e não funcionam para outros” denunciou um dos membros da comissão das famílias presentes no referido encontro.

“Nós estamos parados desde 2009 e a Vale está a operar e a produzir, exportando e ganhando lucros altíssimos com a venda do carvão que é feita à nossa custa e sofrimento. Nós temos famílias por alimentar e sustentar. Ao invés de focarem as atenções nas principais questões que nós levantamos, preferiram falar dos impactos e danos dos protestos e não propriamente das nossas preocupações”, acrescentou a nossa fonte.

A ADECRU apurou ainda que, no fim do encontro de apenas uma hora, os representantes das famílias deram um ultimato até sexta-feira próxima, dia 26 de Abril corrente, para que a Vale responda a todas as legítimas questões colocadas em cumprimento dos acordos e compromissos assumidos durante o processo de consulta e participação pública. Desta forma, as famílias ameaçam endurecer a luta, cujas estratégias de intervenção não foram reveladas.

Para ADECRU, as graves falhas e os vícios deste processo, reflectem a excessiva influência, interferência e poder que a Vale exerce sobre o Governo moçambicano a todos os níveis. Revela também a subordinação do interesse público e da soberania nacional, aos interesses privados de uma pequena elite política em conivência com as grandes corporações transnacionais.

 

Maputo, 22 de Abril de 2013

ADECRU

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Rua Abner Sansão Muthemba, Nr 34, Bairro da Malanga, Cidade de Maputo

Contactos: adecru2007@gmail.com /: 00258- 823911238 /00258-846833999­­­­­­­­­­­­­­­

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