Arquivo | Junho, 2013

“O Moçambique de Armando Guebuza tem que aceitar o Moçambique de Afonso Dhlakama”

27 Jun

Por Jeremias Vunjanhe

Nasci Jeremias Filipe Vunjanhe ou literalmente Chidarika (em Ndau significando transeunte, passageiro, aquele que atravessa ou mesmo ponte) da etnia Ndau, natural de Chibabava na Província de Sofala, de pai e mãe camponeses e católicos, entre oito irmãos gerados por uma mãe que foi 11 vezes mãe, 10 das quais debaixo de uma frondosa e protectora árvore ou numa palhota decente sob risco e ameaça iminentes de morte certa por causa da violência das armas e da miséria do último conflito armado.

Já o disse e reafirmá-lo-ei repetidas vezes tanto quanto for possível por que me é orgulhosa e heroicamente parte: Nasci vivo e livre, porém numa sociedade estrangulada, violentada, violada e mutilada pela fome, miséria e pela guerra. Fui, por isso, alimentado de papa de manga verde cozida quando minha mãe não podia dar-me o seu precioso leite porque não o tinha em suficiência devido a fome aguda de 84/5. Também fui obrigado a viver indignamente nos primeiros anos de vida, sem direito a saúde, educação, água potável, habitação e alimentação adequada. Foi duro e talvez tenha contraído sequelas irreversíveis, mas resisti e escapei de ser apenas mais um número na grandíssima estatística africana de crianças que morrem antes, durante e pós parto, frequentemente com sua própria mãe.  Continuar a ler