Às vésperas de uma Visita Imperial

16 Jan

Por Jeremias Vunjanhe

11.01.2014

Aliado a potências imperialistas e coloniais, o Japão quer construir e ampliar sua “zona de influência” e poder geoestratégico no continente africano: eis o real motivo da digressão pela África do Primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe.

O objectivo desta visita é imperial é perigoso. Uma disputa acirrada das grandes potências colonias pela posse e controlo dos recursos naturais africanos justifica esta prioridade japonesa pelo velho continente. Aliás, o próprio Primeiro-ministro japonês clarificou, da melhor forma possível e em primeira mão, as razões de fundo por detrás da sua viagem.

Desde que Shinzo Abe disse que o “Japão deve reforçar as suas relações com a África. Em meados do século 21, sem dúvida, a África estará no centro do desenvolvimento, por isso, se não investirmos lá agora, quando o faremos? Qual seria o momento certo? Agora é a hora de investir “, ficou claro que o Japão estava decidido a participar de forma decidida no novo processo pós-Berlim de partilha, divisão, ocupação e ocupação de África em pleno seculo XXI.

Debaixo de muito secretismo e escuridão incomum de um chefe de Governo, o Primeiro-ministro nipónico, acompanhado por mais de 50 grandes empresários, chega hoje a Maputo para uma visita oficial de Estado de três dias. A chegada da delegação de Shinzo Abe a Maputo está prevista para às 19 horas e 55 minutos de hoje, dia 11 de janeiro de 2014, no aeroporto internacional de Maputo, de onde seguirá para o Hotel Polana. Pelas 13 horas e 30 minutos do dia 12 de Janeiro de 2013, portando, amanhã domingo, o Primeiro-Ministro japonês participará de um seminário sobre oportunidades de negócio que contará com a presença de empresários de ambos os países. Shinzo Abe deixará Maputo na manhã de segunda-feira, 13 de Janeiro corrente rumo a Costa do Marfim, Etiópia e Omã.

Há seis meses que as autoridades de Maputo e de Tóquio trabalham coletivamente para viabilizar esta visita que, sobretudo, visa a conclusão das negociações de fornecimento de gás natural e desbloquear o financiamento destinado ao controverso programa de desenvolvimento de agricultura comercial nas savanas tropicais do norte de Moçambique, mais conhecido por ProSavana, congelado pelo Japão depois ter sido amplamente contestado e denunciado por camponeses e camponesas, famílias das comunidades do Corredor de Nacala, organizações religiosas e da sociedade civil moçambicanas, em Carta Aberta dirigida aos presidentes de Moçambique, Armando Gueguza, e do Brasil, Dilma Rousseff e do Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe.

Em Moçambique, as equipas conjuntas do ProSavana envolvendo Moçambique através do Ministério da Agricultura, Brasil por meio da Agência Brasileira de Cooperação-ABC e Japão por intermedio da Agência de Cooperação Internacional do Japão-JICA encarregaram-se por construir uma falsa pretensa arquitetura de diálogo durante a qual a estratégia principal foi omitir e distorcer toda a informação relevante além de manipular, intimidar e ameaçar representantes de comunidades de camponeses, activistas, líderes de organizações da sociedade civil e movimentos sociais que se opõe ao Prosavana. Na verdade, a equipa trilateral do ProSavana é portadora de uma direção e pensamento problemático, perigoso e contra os interesses soberanos dos camponeses e das camponesas.

Apesar da subordinação e conivência do executivo de Armando Guebuza face aos interesses capitalistas do Japão, os moçambicanos reagiram fortemente e estão decididos a manter-se na vanguarda popular para impedir o avanço do Programa ProSavana e da Nova Aliança para Segurança Alimentar e Nutricional em África. O povo moçambicano compreende muito bem o que está em jogo e por quê. A ofensiva neoliberal liderada pelos Estados Unidos da América e pelas autoridades de Tóquio potencialmente tem o mesmo padrão perverso e mortífero semelhante ao das decisões da Conferência de Berlim de 1884/85 de uma ocupação efetiva de África.

Enquanto isso, em Moçambique, um Hitler negro está a empurrar o Pais para o retorno de um conflito armado de proporções violentas e também mortíferas para conseguir se manter no poder por tempo que julgar satânico para satisfazer os seus interesses.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: