ADECRU debate com o público alemão o avanço das plantações de Eucalipto e Pinho em Moçambique

A Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU) é a principal organização da sociedade civil moçambicana convidada para um seminário sobre a situação das monoculturas de eucalipto e pinho em Moçambique, o primeiro realizado no Outono deste ano, na Alemanha.

A convite da organização alemã Koordinierungs Kreis Mosambik (KKM), a ADECRU apresentou uma perspectiva crítica sobre o impacto destas plantações/landgrabbing no território moçambicano a uma plateia de aproximadamente 100 pessoas, incluindo estudantes de mestrados e cidadãos que viveram ou trabalharam em Moçambique e que actualmente coordenam projectos de parcerias entre escolas e organizações da sociedade civil nos dois países.

Anualmente, o Comité Coordenador Moçambique-Alemanha-KKM realiza em diferentes estações do ano seminários sobre temas actuais em Moçambique, cujo propósito é informar e fazer lobby para Moçambique na Alemanha, onde realizaram diferentes actividades durante duas semanas.

Entre os dias 19 e 21 de Outubro de 2018 o Coordenador Nacional da ADECRU, Jeremias Vunjanhe, foi o principal palestrante no evento que decorreu em Berlim, na Alemanha, no qual apresentou o tema “Plantações Florestais em Moçambique: Oportunidade ou Perigo?”

Na sua intervenção, Vunjanhe, que na altura fazia-se acompanhar pelo Coordenador Temático de Assuntos Institucionais, Alianças Nacionais e Internacionais, José Jeque, assinalou o papel da Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais que tem vindo a lutar pelo engajamento e inserção democrática dos cidadãos por um desenvolvimento soberano, justo e solidário ao mesmo tempo que procura influenciar e propor políticas e programas de desenvolvimento para as comunidades rurais moçambicanas. Vunjanhe fez três outras apresentações: duas nas universidades alemãs de Augusburg e Leipzig e outra na Casa do Mundo na cidade de Bielefel.

Na qualidade de membro do Conselho de Coordenação Político-Associativa da ADECRU, Vunjanhe encontrou-se ainda com organizações homónimas entre as quais a Inkota, Fundação Rosa Luxemburgo, Pão para o Mundo, ARA.

Também participou “noutros momentos importantes de advocacia e incidência política” com representantes das instituições de ensino superior, bem como com entidades governamentais e parlamentares da Alemanha.

Nas quatro palestras, o responsável pela ADECRU destacou as intervenções da agremiação, nomeadamente, na campanha contra o ProSAVANA, nas acções de assessoria e advocacia junto das comunidades afectadas por megaprojectos na agricultura e mineração.

Vunjanhe destacou a defesa aos direitos das comunidades rurais em Moçambique, cujas riquezas naturais, bens culturais e patrimoniais têm sido devastados pelo avanço do capital.

Vunjanhe falou igualmente da luta travada pela ADECRU na campanha contra o processo de harmonização e legislação de sementes a nível de África Austral, da campanha contra Nova Aliança para a Segurança Alimentar e Nutricional, e do avanço de organismos geneticamente modificados em Moçambique e em África.

Enquanto organização da sociedade civil que tem como missão impulsionar os focos da consciência cidadã, “temos vindo a mobilizar as comunidades para a defesa dos seus direitos e acesso aos bens de patrimónios comuns dos povos”, assinalou Vunjanhe.

O Coordenador da Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais sublinhou que a ADECRU tem ainda contribuído para “engajar as famílias e comunidades rurais para participação e discussão de políticas e programa de desenvolvimento, incluindo o próprio modelo de desenvolvimento”.

Vunjanhe afirmou também que uma das acções da agremiação é “documentar e denunciar casos de conflitos e violações dos direitos humanos nas comunidades afectadas pelas multinacionais”.

O palestrante lembrou que, em 2005, o Governo moçambicano lançou a nova estratégia de plantações de eucaliptos e pinho em grande escala, tendo providenciado 500 mil hectares para este efeito, particularmente, nas províncias de Niassa, Nampula e Zambézia.

Segundo referiu, desde a altura regista-se “uma entrada massiva” de investimentos em Moçambique, que têm levado as comunidades a serem “forçadas a arrendar terras para produção de alimentos”.

“Há redução de alternativas de sobrevivência, nomeadamente a água, terra e floresta natural, e existência de conflitos de terra entre membros da mesma ou diferentes comunidades”, disse Vunjanhe, citando como exemplo casos ocorridos em Manica e Zambézia”, onde “famílias ficaram sem terra, usurpada pela empresa Portucel Moçambique”.

Segundo o responsável pela ADECRU, as comunidades camponesas rurais queixam-se da “destruição da biodiversidade florestal”, pelo que defendem a “introdução de modelos participativos”, uma vez que reconhecem que são “actores importantes em processos de desenvolvimento e não meros beneficiários” dos investimentos.

“A prioridade deve ser produção de alimentos e fortalecimento dos sistemas locais dos camponeses e das comunidades, pois nós não comemos árvores. Ademais, temos graves problemas de fome”, disse Jeremias Vunjanhe citando as declarações de membros das comunidades rurais que constam de um trabalho interno da ADECRU junto dessas colectividades.

No seminário de Berlim igualmente foram apresentadas e discutidas temáticas relacionadas com o resultado das quintas eleições autárquicas realizadas em Outubro último. Também mereceram destaque temas sobre o desenvolvimento sustentável, cooperação triangular envolvendo Moçambique, Brasil e Japão e a luta contra o programa ProSAVANA desencadeada por movimentos sociais e organizações de camponeses dos três países através da Campanha Não ao ProSAVANA.

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