Membros de comunidades de Moçambique e organizações ao redor do mundo dizem NÃO a mais plantações industriais de árvores

Na véspera do Dia Internacional de Luta contra as Monoculturas de Árvores, tornamos público uma carta aberta assinado por mais de 730 membros de comunidades moçambicanas,  e  120 organizações de 47 países, exigindo a suspensão de planos de expansão destas monoculturas  no Sul global, em especial na Africa.

A carta alerta para “o perigo real de uma expansão gigantesca de monoculturas de árvores no mundo”, sob o falso pretexto de ‘reflorestamento’. Governos do Norte global, apostam nisso,  enquanto recusam-se a tomar as medidas necessárias para evitar a caos climática. Com isso, perpetuam o modelo capitalista de exploração e destruição descontrolada, principalmente em países do Sul Global, em beneficio do lucro privado de alguns. 

A Carta denuncia um relatório produzido em 2019 pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a WWF-Quénia que identifica uma área de 500 mil   hectares em 10 países africanos aptas para o plantio de monoculturas de árvores por empresas privadas. Este relatório convida às Agências de Cooperação   de países Nórdicos da Europa e o Banco Mundial através da Corporação Financeira Internacional (IFC), a investir dinheiro público nesta expansão, enquanto ignora  a  presença  das  comunidades nessas terras, além de todas as denúncias e lutas de comunidades contra este tipo de projectos. É inaceitável que em pleno Século 21, governos do Norte impõem seus planos sobre comunidades em 10 países africanos sem que as mesmas sequer tenham acesso,  muito menos possam opinar sobre estes planos.

A carta demanda que “a versão não-pública deste estudo seja publicada imediatamente pelo BAD  e  WWF  Quênia  para  que  seu  conteúdo  possa  ser  conhecido”.  Ela  também  exige  dos governos nacionais dos países no Sul global de não mais seguir a ‘cartilha’ do Banco Mundial e de outros governos do Norte, e rejeitar a  privatização de terras comunitários para entrega-las ao capital privado, como ocorre actualmente em Moçambique. A carta, ao contrário, exige “uma revisão ampla do processo de atribuição de terras às empresas de plantações que garanta a devolução das terras às comunidades que destas dependem”.

A carta finaliza dizendo que “Reiteramos a nossa solidariedade neste Dia 21 de Setembro, com as lutas legítimas, justas de todas as comunidades ao redor do mundo que resistem ao avanço das plantações e que procuram recuperar as suas terras perdidas. A luta continua!”

21 de setembro 2020

Acção Académica para o Desenvolvimento Rural – ADECRU (Moçambique)

Justiça Ambiental – JA! (Moçambique)

Missão Tabita – Associação das Igrejas Evangélicas de Mulevala (Moçambique)

Suhode Foundation (Tanzânia)

Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais – WRM (Internacional)

A carta aberta pode ser acessado aqui

Para informações adicionais:

Justiça Ambiental – JA! – Moçambique

Pessoa de contato: vcabanelas.ja.mz@gmail.com

ADECRU – Moçambique

Pessoa de contato: alperito2@gmail.com

MISSÃO TABITA Associação das Igrejas Evangélica de Mulevala. Moçambique

Pessoa de contato: missaotabita@gmail.com

Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais – Internacional

Pessoa de contato: wrm@wrm.org.uy

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